Com estreia marcada para quinta-feira, dia 13 de novembro, no circuito nacional, o documentário “Lar”, dirigido por Leandro Wenceslau e distribuído pela Embaúba Filmes, se insere no debate contemporâneo sobre as múltiplas configurações familiares no Brasil. A produção acompanha o cotidiano de três famílias formadas por pessoas LGBTQIA+, mas opta por apresentar essas histórias a partir do ponto de vista de quem cresce dentro desses lares: os filhos.
Longe de adotar um tom explicativo ou pedagógico, o filme propõe uma observação íntima e contínua da rotina dessas famílias, abrindo espaço para momentos de afeto, mas também para conflitos, inseguranças e resistências. Entre as questões abordadas estão a ausência de reconhecimento legal da parentalidade, o enfrentamento ao preconceito institucional e social, e a força dos vínculos estabelecidos fora dos modelos familiares heteronormativos.
Além do registro dessas histórias, “Lar” incorpora uma camada autobiográfica. O próprio diretor, Leandro Wenceslau, intercala imagens de arquivo, reflexões pessoais e relatos da própria infância em um gesto que amplia o alcance do filme sem deslocar o foco das narrativas principais.
“Entendi que a família se construía com cuidado e presença, muito além dos formatos convencionais”, afirma o cineasta, cuja motivação partiu do contato direto com arranjos familiares diversos durante seu processo de pesquisa e escuta.
O filme também apresenta uma linguagem visual contida e precisa. A fotografia, assinada por Ícaro Moreno, acompanha os personagens com discrição e sensibilidade, evitando artifícios ou composições excessivas. A trilha sonora original e a mixagem de som, ambos realizados por Matheus Fleming, atuam de forma sutil, dando ênfase à ambiência dos espaços e às interações cotidianas.